Ela tinha uns cabelos assim vermelhos e uma voz de veludo. Tinha uma tristeza vultosa velada, era menina e se dizia mulher.
Se dizia mulher por não poder ser de outro jeito, o mundo lhe disse que era mulher cedo demais e exigiu que dele [ o mundo ] mulher fosse.
Pois fez-se seu gosto, foi mulher dele, ousou, atreveu-se enveredou numa viagem sem rumo para o fim do mundo, e sua tez de menina enrugou-se, endureceu, quis colo para chorar, achou a implacável verdade do cotidiano de quem não vivia de mentiras.
Mas ela precisava saber a verdade, precisava saber de certas coisas assim escuras e outras tantas, precisava saber que o mundo não era bonito e que seus cabelos um dia desbotariam e virariam cinzas e nada, e que ninguém iria morrer por ela quando fosse a hora dela morrer, e que chorar não passava.
Eu lhe diria se fosse outra “ Vai ficar tudo bem, calma, vai passar”, mas não sendo dada a hipocrisias de toda sorte, lhe disse apenas que a dor não ia curar-se, e que há coisas indissolúveis com as quais lidar.
Lhe diria, se pudesse me ouvir agora, que no entanto eu estou aqui, para birra ou braço, abraço, aperto, o que for, para lhe dar a mão, porque eu simplesmente me encantei por esses olhos cor de terra molhada e vi ali dentro a mulher do por vir.
Olhe, mulher do por vir, permita-se, é a única solução. Não espere o mundo, não espere as regras, quebre-as!E as reconstrua em si, sob o molde do balançar das curvas dos seus cachos, da ondulação dos seus lábios.
By...Picolehdechuchu!

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